Intento: segundo o Michaelis do UOL, sm (lat intentu) 1 Tenção, intenção. 2 Plano, desígnio, propósito. 3 Uma tentativa - tenção de fato tensa - de colocar o pouco que sobrou do meu lado de dentro - o que, convenhamos, não é vantagem pra nenhum leitor, com exceção aos masoquistas virtuais. Mais sobre o pouco que sobra do lado de dentro (a escassa criatividade irônica e ranzinza deste ser velho de nascença sem-ter-o-que-fazer - Eu, prazer), descubra por aí, por aqui, em algumas palavras, muitos pontos de interrogação e pouca ou nenhuma solução. [Um monte de chatices acumuladas semanalmente por um ser solitário e carente, ou seja.]

 

Lendo:
Sobre a Humilhação- Ed. EDUFU

Claudine Haroche, in general
 


Ouvindo:
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Feist
Antony and The Johnsons.
The Radio Dept.
Travis
Kate Nash

 


De cabeceira:
Cartas a um Jovem Poeta, Rainer Maria Rilke.
Rosa do Povo, Carlos Drummond.
Filosofia da Caixa Preta, Vilém Flusser.
Contos Completos, V. Woolf
[ótima ótima edição da Cosac & Naif]

 

 


De cor:
Maria Rita e Segundo, Maria Rita.
Twentysomething, Jamie Cullum.
Ventura, Los Hermanos.
Plans, Death Cab for Cutie.
Eco, Jorge Drexler
 

 


Sites freqüentados:
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Getty Images
Stockxper (high resolution images)
Observatório da Imprensa
InMotion - MagnumPhotos
Lomography (?)
ZoneZero
 

 


Blogs preferidos:
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Segunda-feira, Junho 23, 2008


Cabeção

esse é o apelido mais comum entre irmãos. Existem as variantes: cabeça, cabeçudo, cabeça de ovo, cabeça de qualquer coisa.
Acontece que a questão da cabeça, ou do cabeção, não teve graça nenhuma no último mês. Mais de quinze dias de enxaqueca sem parar, daquelas que dá até enjôo e não se consegue raciocinar o mínimo. Fui parar no hospital, eu, com todos os meus vidrinhos de homeopatia, tomei remédio na veia de tanta dor.
E a partir daí minhas preocupações só aumentaram, pois não raro ouço casos de tumores e coágulos que matam rapidinho. Que medo.

Passei a segunda-feira em médicos. Pela manhã, oftalmo. À tarde, homeopata. E um neurologista peruano pra fechar o dia.
Diagnóstico: "aaahm.... ééé... bem. Dor de cabeça pode ser qualquer coisa, né???". Ótimo, rios de dinheiro jogados nos jalecos brancos dos doutores.

O mais legal de tudo, foi a hiper-pós-moderna experiência de fazer uma tomografia. Sempre fiquei olhando aquela maquinona na tv e pensando "uau, deve ser dahora entrar numa dessas". Bem, a graça ficou na minha imaginação mesmo, porque a máquina não faz nada além de dar uma mexidinha de leve.


No dia seguinte, recebi pelo correio fotos incríveis da minha intimidade mais profunda. Eis que vai um retrato de mim mesm, a la Andy Warhol:






No fim, a brincadeira toda acabou (e as desculpas também), pois o meu gracioso homeopata descobriu pela tomografia que o meu problema é na cara: sinusite. Bizarro, nunca tive isso. E agora é pra sempre.

Será?

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Terça-feira, Junho 17, 2008


A Banda Toda


Campinas é um buraco insuportável. Mas meu ódio por esse lugar, na sua necessidade de existir porque tenho que me formar, vem acompanhado de certos vínculos, alguns amores e raras felicidades.

Uma foi um super namorado. Antes, a própria imagem. A música veio comigo, na mala. E talvez isso tudo tenha me levado a escrever aqui sobre uma das bandas do meu namorado, pela qual tenho grande carinho e certeza de que alí há uma coisa boa de verdade. Fotografei Alexei e a Banda Toda no seu show na Virada Cultural de São José dos Campos, neste ano. Olha o estado dos caras às 4 e pouco da madruga, morrendo de tanto esperar para tocar:








Indico aos de bom gosto e olhar atento, o MySpace da banda:

www.myspace.com/alexeieabandatoda




Onde, além ouvir um pouco, você poderá visualizar minhas fotos do show.
Para os de melhor gosto ainda, o MySpace do Diego:

www.myspace.com/diegobeirao



Com sua bela “Saudade”.



É isso aí. Receitas para se desenterrar do buraco aos poucos. O buraco de terra, carrapato e muito provincianismo.


=]






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Quarta-feira, Fevereiro 27, 2008


Fucking questions - again and again

Sempre quando eu volto, voltam as mesmas questões. Sempre quando volto do mundo e das coisas pra mim, volta a bater na minha cabeça o mesmo questionamento um pouco genérico, que se encaixa em muitas ou todas áreas de uma vida. Afinal, por que eu continuo fazendo isso se com isso me estresso, me canso, me mato aos poucos?

Por que é que, por exemplo, eu continuo um curso que não me satisfaz academicamente? Por que raios não joguei tudo pra cima, como tantos colegas fizeram, e fui encontrar um curso cujo corpo docente tivesse a mínima dignidade de fazer o que lhe é obrigação, evitando ao máximo o buraco lamacento da picaretagem? Por que não saí de um lugar enfadonho e sujo onde nada lhe ensinam, onde ninguém sequer lhe dá apoio para você desenvolver estudos e projetos bonitos?
Não sei. Talvez seja o mesmo que perguntar porque comemos chocolates e batatas-fritas se nos fazem tão mal, nos matam aos poucos.

Não sei. Essas são questões que talvez eu nunca solucione - ou dê uma resposta mal educada para que se calem. Elas surgem em constância e eu me vejo, a cada cutucão desses, mais ou menos no mesmo lugar, porém muitos meses e anos pra frente.

Para exemplificar: eu sei porque eu não tenho um portifólio foda, ou nenhum trabalho realmente foda, do qual me orgulho a ponto de pendurá-lo no pescoço e carregá-lo por aí. É porque simplesmente nunca fui instigada a fazer uma coisa foda. Nunca tive uma oportunidade de fazer uma coisa fantasticamente ultramegafoda, porque nunca tive um desafio ultramegafoda pela frente. Acho que falta isso na minha vida, um desafio de verdade, no meu nível – e não digo isso escrota e esnobemente: a gente tem que ser humilde, mas saber o que faz bem (não é, Diego?).

Então, me vejo nesse quarto de patricinha, vivendo às custar do meu papai, pensando o quanto eu poderia fazer no mundo – pois potencial não é o que falta. Falta uma oportunidade descente.

Dizem, seguramente, que as oportunidades não vêm até você. Suas pernas, braços e cabeça (quem sabe até o coração) é que devem correr freneticamente atrás delas. Okay. Mas será que não tenho feito isso? Desculpa aí, mas entrar numa Unicamp da vida é correr frenética e descontroladamente atrás de oportunidades boas.

Eis que descubro, quando entro no grande Campus, the Little Big World, que não é bem assim. Porque se nem lá as pessoas tem a dignidade de fazer o que lhes cabe, imagine fora. Acho que é um caso perdido, sem solução. Os oportunidades faltam, porque faltam mãos dignas e respeitosas para dar-lhes vida. E assim, o Brasil continua indo na contramão da civilidade verdadeira, esmagando-se num metrô, pois não se sabe esperar o da frente entrar primeiro, de acordo com uma fila indiana clássica. Se é que algo indiano pode ser clássico.


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